Um vibrante processo de estabelecer contatos profissionais mantém as portas abertas às mulheres árabes

quarta-feira 28 de Agosto de 2013

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Fonte: AWID.

Data: 27 de agosto de 2013.

As palavras-chave: Defesa, sistemas de direitos humanos, órgãos e instrumentos, tecnologias da informação e as comunicações (TICs), Meios de difusão, Criação de movimentos, Participação política, violência contra as mulheres.

Ao longo da cobertura feita pela imprensa em meses recentes dos tumultuosos acontecimentos no Egito, pouca atenção se prestou às mulheres egípcias. Talvez elas sejam as que mais ganhem ou percam em qualquer nova ordem política que surgir no país. Os meios sociais e os sites na internet estão preenchendo essa brecha para muitas mulheres ávidas de noticias, no Egito e em todo o mundo muçulmano.

“O movimento feminista no Egito é extenso e profundo, mas na situação atual tem de caminhar na corda bamba”, nos diz Rita Henley Jensen, a editora-chefe de editora de Women’s News, que estabeleceu um serviço em língua árabe - awomensenews.org — em 2003 de temas sobre mulheres, de política à saúde pessoal. Seu alcance cresce sem parar no Oriente Médio.

A menos de um ano dos traumáticos acontecimentos do dia 11 de setembro de 2011, Henley Jensen começou a perceber que o site de noticias online dirigido até então principalmente às mulheres da América do Norte e Europa, começava a atrair um bom número de leitoras em língua árabe.

No começo do verão de 2002, as Nações Unidas tinham publicado seu inovador primeiro Relatório sobre o Desenvolvimento Humano Árabe, crítica dura à vida pública na região, escrita por intelectuais árabes. O relatório afirma que três fatores refreavam o desenvolvimento e afogavam a inovação nos países árabes. Estes três “déficits”, segundo o relatório, são: a liberdade política, a repressão contra as mulheres e o isolamento do mundo das idéias. A abundância de petróleo no Oriente Médio árabe era “mais rica que o seu desenvolvimento, afirma o relatório.

Durante algum tempo, Henley Jensen esteve pensando em como chegar às mulheres nas sociedades árabes, e a nova audiência regional árabe de Women’s e-News, além das atrevidas conclusões do relatório sobre o desenvolvimento e outros conselhos similares dos economistas, abriu as possibilidades de criar uma dimensão agregada à Women’s eNews. Em 2002, Henley Jensen, com o seu serviço em língua árabe já planificado participou de uma conferencia da ONU em Beirute com mulheres centradas nos meios regionais para escolher algumas idéias concretas, segundo ela disse em uma entrevista. A seção em língua árabe de Women’s eNews continua se expandindo, especialmente depois da revolta no Egito. “ Estamos muito orgulhosos do nosso serviço em língua árabe” disse a mulher. Sua audiência cresceu rapidamente desde que surgiu o movimento revolucionário durante a Primavera Árabe na África do Norte, em 2010. Houve um aumento de 30 a 30 por cento nas visitas à página da seção árabe desde então, segundo o relatório.

A atenção à mulher de fala árabe foi muito bem acolhida desde o começo pelos funcionários da ONU na região. Mervat Tallawy, uma diplomata egípcia, que era secretária executiva da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental, com sua base em Beirute, quando se realizou a conferência sobre Mulheres (ao finalizar seu mandato, Tallawy acabou sendo secretária executiva da comissão Rima Khalaf, que traçou e produziu o primeiro relatório sobre o Desenvolvimento Humano Árabe.)

Tallawy preside atualmente o Conselho Nacional para a Mulher Egípcia, um órgão de especialistas e defensores que foi criado em março de 2012 com amplo mandato para monitorar os direitos humanos das mulheres. No começo deste ano, o Conselho, e Tallawy pessoalmente, advertiram sobre as mudanças negativas que tinham ocorrido quanto ao status da mulher atendendo proposta da Irmandade Muçulmana, sob o pretexto de reduzir a violência. Em março deste ano, expressou em um documento na Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto da Mulher que na nova Constituição do Egito, enquadrada na influência dos partidos islâmicos sob a presidência de Mohammed Morsi, naquele momento, “ignorou os direitos básicos das mulheres dos pontos de vista político, social e econômico”.

Henley Jensen explicou em recente entrevista que o Parlamento eleito depois da queda do presidente Hosni Mubarak só tinha um membro feminino, que “ dizia apoiar a mutilação genital feminina”. As feministas egípcias, os trabalhadores da saúde e alguns destacados estudiosos egípcios tinham combatido esta prática durante décadas e finalmente conseguiram que se declarasse ilegal durante o mandato de Mubarak, se bem que a prática ainda existe.

Henley Jensen, ao se referir ao serviço em árabe de Women’s eNews, comentou: “Creio que vimos melhor a diversidade dentro da região, bem como a diversidade dentro do Egito. desde o começo da década de 90, o Egito teve um forte movimento feminista. Ao mesmo tempo, como sabemos, as mulheres em toda a região apoiaram ocasionalmente regimes restritivos. Isto somado à complicação existente no Egito, onde Suzanne Mubarak (a esposa do deposto presidente) era vista como uma mulher progressista. Agora, é preciso reformular o diálogo todo, porque ninguém quer ver-se alinhado com Suzanne Mubarak”.

Embora muitas mulheres egípcias, principalmente nas zonas rurais, sejam muito conservadoras do ponto de vista religioso e social, surgem grupos mais atrevidos no Cairo e noutros centros urbanos, vários são virtualmente esquadras de defesa própria. São particularmente ativos desde a deposição de Morsi, em três de julho, intervindo para afastar as mulheres e evitar os freqüentes assaltos sexuais dos homens, nas ruas.

Al Arabiya, uma rede de televisão baseada em Dubai, informou em 13 de agosto que as mulheres, algumas vestindo uniformes de estilo próprio, filmavam ou batiam fotos do assédio e postavam os vídeos e as fotos na internet com a identificação dos atacantes. Naquele mesmo dia, allAfrica.com informou de um grupo furioso de mulheres egípcias, que tinha lançado uma campanha denominada “Vamos colocar vestidos” em aberto desafio às demandas islâmicas de que as pernas das mulheres devem estar cobertas. Estas mulheres também disseram que tinham criado páginas para promover um movimento contra a fustigação em Facebook e no Twitter.

Para Henley Jensen, estes passos são transcendentais. “Elos assinalaram um caminho”, disse “Estão lá, são Fortes. Provavelmente o exército vai ignorá-las. Temos de esperar e ver como isto vai se desdobrar. Agora, se o exército ignorar os direitos delas, vamos ouvir falar no assunto uma e outra vez”.

O serviço em árabe de Women’s eNews tem repórteres ao redor do Oriente Médio, no Norte da África e em Turquia, um país muçulmano, mas não árabe. Dominique Soguel, uma jornalista que também trabalha para a Agência France-Presse, é a chefe regional do Bureau em Árabe de Women’s eNews. “Utilizamos correspondentes locais regularmente”, comenta Henley Jensen, “também traduzimos as nossas noticias em inglês ao árabe para que todos possam ter acesso ao está se passando no mundo”. As reportagens em árabe também se traduzem ao inglês para conseguir maior circulação.

“As mulheres exigem mudanças na região,” manifestou Henley Jensen, e explicou que algumas organizações e instituições dos meios regionais - como o Centro de Midios da Mulher Árabe em Jordânia – ajudam a aumentar a participação das mulheres, para que relatem as suas próprias histórias de suas perspectivas locais. Entre os assuntos com os quais têm de batalhar as mulheres na região, em meio às mudanças no terreno político em certos países, temos os seguintes: como conciliar os ensinamentos do Islã com as leis contemporâneas as normas sociais que atingem as mulheres. A Women’s Learning Partnership em Bethesda, Md., tem trabalhado desde o final da década de 90 com matérias de capacitação em aspectos legais, políticos e de direitos humanos para as mulheres em nações muçulmanas. O alcance de suas publicações chega a mais de 20 países em associação formal.

Mahnaz Afkhami, a fundadora iraniano-norte-americana e presidente de Women’s Learning Partnership, tem uma rede de contatos no Egito que monitora os acontecimentos constitucionais e os direitos e as funções das mulheres lá. A organização publica uma folha informativa sobre as Mulheres na Primavera Árabe, dando destaque às derrotas que sofreram os seus direitos sob a influência dos partidos políticos islâmicos. A tragédia é muito pior no norte da África.

“As mulheres desempenharam um papel importante nos levantes de 2011, os quais foram denominados “Primavera Árabe”, inclusive na atuação delas como fundadoras e dirigentes de alguns grupos mais ativos e conhecidos que advogavam pela democracia e os direitos humanos,” detalhava uma folha informativa em 27 de junho comentando que a situação é muito precária hoje em dia. “Depois da mudança de regimes, provocada pelas revoltas no Egito, Líbia e Tunpísia, os conservadores recém-eleitos ameaçaram eliminar as conquistas obtidas com muito sacrifício. As mulheres que defendem suas posições em países como estes, necessitam que os meios de difusão dêem a elas a maior atenção possível.

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Ver em linha : http://www.awid.org/Library/Vibrant...

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