Palestinos da Síria, o duplo exílio

segunda-feira 5 de Agosto de 2013

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Fonte: Palestinalibre.org .

Data: 1º de agosto de 2013.

As palavras-chave: Refugiados, Síria, Palestina.

Haifa 1948… Milhares de palestinos fogem dos bombardeios que assolam o país durante o primeiro conflito árabe-israelense.… Muitos deles se exilariam na Síria, após a criação do Estado de Israel.…

65 anos depois, os seus netos também se viram obrigados a empreender o caminho do exílio.

Desde o começo da guerra na Síria, 85.000 palestinos da Síria se deslocaram para o Líbano, muitos deles vivem nas bases de refugiados de Beirute. Bem-Vindos a Chatila.

Neste bairro, e na base de refugiados de Sabra, que fica perto, ocorreu um massacre de refugiados palestinos em 1982 nas mãos de uma milícia cristã durante a Guerra do Líbano.

Sawsan, mãe de três filhos, é uma refugiada síria que tomou a decisão de deixar Homs, sua cidade natal.

“Meu marido veio primeiro ao Líbano, para trabalhar. Não tem trabalho na Síria. Não tem nenhuma atividade econômica, não resta nada no país. Aqui tivemos de enfrentar condições muito difíceis, mas fomos obrigados a fazê-lo, não havia alternativa”.

Os avôs de Sawsan eram de Haifa e de Jaffa; duas cidades que fazem parte, hoje em dia, do Estado de Israel.

A metade da família se estabeleceu no Líbano, e a metade na Síria. Ela gostaria de voltar para Homs, quando acabar a guerra.

“Eu acho que quando a situação na Síria melhorar, a nossa situação também vai melhorar. O nosso futuro está lá. Queremos um futuro melhor para os nossos filhos.”

“Eu amo a Síria e a Palestina.”

Os refugiados como Sawsan vivem graças à ajuda da ONU, que organiza os serviços de moradia e saúde.

O governo libanês impõe fortes restrições aos palestinos, e impede que exerçam até 20 profissões, como explica Mahmoud Abbas, diretor de um centro para os jovens em Chatila.

“O governo libanês priva os palestinos do direito de trabalhar, criar associações e a liberdade de circulação fora das bases de refugiados do Líbano. Os palestinos não têm direito de viver em uma casa fora das bases de refugiados. É uma tragédia para os palestinos”.

A base de refugiados de Chatila foi criada em 1948 para abrigar 3.000 pessoas. Agora vivem lá 16.000, dentro de um quilômetro quadrado. E o sistema de água e eletricidade não funciona direito. O diretor deste centro em Chatila pede ajuda para a comunidade internacional.

“As condições dessas moradias não são boas nem para os ratos, nem para os animais. É suficiente dar uma volta pela base para perceber que essas condições são inadmissíveis para os seres humanos. A Organização das Nações Unidas lamenta não contar com suficiente dinheiro para apoiar os refugiados palestinos, contudo tem fundos para armamento, pode financiar os que lutam na fronteira com a Síria e tem dinheiro para os campos de refugiados de Bekaa e de Akkar. Contudo, não podem financiar um alojamento decente para esses pobres refugiados”.

O governo libanês estima que há mais de um milhão de refugiados da Síria no Líbano. E Beirute diz não poder admitir mais refugiados.

Abu Yamen, com cinqüenta e alguns anos de idade e pai de seis filhos, fez essa viagem há quase um ano.

E lembra o dia em que deixou Damasco.

“Decidi ir embora porque era insuportável para os meus filhos. Três deles estão fazendo a Faculdade. Tivemos de suportar muitos bombardeios todos os dias. Fomos embora praticamente com a roupa no corpo. Alugamos um automóvel e fomos embora”

“Ninguém nos ajuda aqui. Pago uns 180 euros de aluguel. Não encontro trabalho, embora insista em buscar. Fui a diferentes regiões do Líbano, mas não achei nada, nem sequer um emprego como motorista. Os meus filhos também não estão conseguindo achar emprego. Estamos à espera de ajudas provenientes de associações, obras de caridade e da União Européia, mas de momento não estamos recebendo nada.”

Os pais de Abu Yamen eram de Kiryat Shemona, a Cidade dos Oito, no norte de Israel. E ele não vê nenhum futuro na Síria.

“A situação é um verdadeiro desastre. Gostaríamos de voltar à Palestina, amanhã mesmo! Queremos voltar à Palestina, porque a nossa terra é lá!”

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