Eleições no Zimbábue

De olho em Mugabe

quarta-feira 31 de Julho de 2013

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Tema: situação dos direitos humanos no Zimbábue

Palavras-chaves: Mugabe, direitos humanos, Zimbábue, Eleições, Conectas

Pais: Zimbábue

A uma semana das eleições que ameaçam o futuro de Robert Mugabe, um dos presidentes há mais tempo no poder no mundo, Conectas enviou ao Itamaraty graves denúncias levantadas por organizações zimbabuanas de direitos humanos. Além de expor a violência durante o governo de unidade nacional e a ingerência do Zimbabwe African National Union - Patriotic Front (ZANU PF), partido de Mugabe, no processo de organização das votações, o documento também oferece recomendações concretas à missão brasileira que observará o pleito e solicita a publicação de um informe ao final dos trabalhos.

O Brasil é o único país latino-americano além de Cuba a manter uma missão diplomática no Zimbábue – o que aumenta sensivelmente sua responsabilidade diante das violações cometidas contra a população. Segundo o Centro Robert Kennedy Para a Justiça e os Direitos Humanos, apenas em fevereiro de 2013 foram registrados mais de 400 casos de violência política no país. “As últimas eleições foram marcadas pela controvérsia e pela violência. As persistentes violações e os ataques contra defensores dos direitos humanos, lideranças da sociedade civil e ativistas pró-democracia continuam obstruindo o processo de democratização de acordo com nossas organizações parceiras” afirma Arlette Afagbegee, pesquisadora da Conectas para a África. “Esperamos que a próxima eleição marque um ponto de inflexão na história do país.”

Essas são as primeiras votações desde 2008, quando o ZANU PF, que detém o poder há mais de 30 anos, foi declarado vitorioso apesar da evidente manipulação do processo eleitoral. Naquela ocasião, mais de 200 pessoas foram mortas e pelo menos 12 mil foram vítimas de tortura por conta da disputa política – o que impeliu as duas principais forças políticas do país, o ZANU PF e o Movement for Democratic Change do primeiro ministro Morgan Tsvangirai, a formarem um governo de unidade nacional. Alguns passos foram dados desde então, como a aprovação por referendo em maio de 2013 de uma nova constituição, mas é preciso garantir que as eleições do dia 31 não subvertam as expectativas da população.

“Esperamos que as eleições culminem com a formação de uma liderança que curará nosso povo dos anos de sofrimento e violações, além de aliviar a pobreza endêmica que acomete nossas comunidades. Como estudantes, também queremos que nossa educação seja mais acessível e que haja mais oportunidades e trabalho para aqueles que se formam”, diz Pride Mkono, presidente da Zimbabwe National Student Union. “Esperamos, acima de tudo, que nosso país se torne um player global e consiga se livrar das paredes que hoje nos isolam do resto do mundo.”

Trabalho contínuo

O envolvimento da Conectas com a situação no Zimbábue é antigo. Em 2007, a organização promoveu um encontro entre ONGs latino-americanas e ativistas zimbabuanos a fim de elaborar uma estratégia de enfrentamento das violações de direitos humanos no país. A rede de apoio formada durante esse encontro organizou também uma grande campanha regional para encorajar os governos latino-americanos a adotarem uma posição mais firme diante dos abusos cometidos pelo governo de Robert Mugabe. Um ano depois, pouco antes das eleições, a Conectas pressionou, com sucesso, o Planalto a mandar dois observadores para o país e apoiou a ida de dois jornalistas brasileiros para cobrir o pleito.

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