A visita de Obama ao Senegal: festejar a « democracia » ou promover os interesses do imperialismo ianque?

quarta-feira 26 de Junho de 2013

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Canal: Liga Internacional da Luta dos Povos.

Autor: Demba Moussa Dembélé.

Assunto: Visita de OBAMA ao Senegal.

As palavras-chave: OBAMA, visita, Senegal.

O público senegalês acredita na propaganda que insiste em que o Presidente dos Estados Unidos visitará o Senegal para “homenagear sua democracia”. Nada mais longe da verdade! Barack Obama irá ao Senegal, como aos demais países, com o propósito de promover os interesses econômicos, políticos e estratégicos do seu país. A democracia e os direitos humanos serão utilizados para disfarçar os verdadeiros objetivos da visita, cujo principal propósito é converter o Senegal em um peão dócil e fiável na estratégia global dos Estados Unidos.

A importância estratégica da África Ocidental e do Senegal

Não devemos esquecer que antes da visita de Obama ao Senegal, veio sua ex-Secretária de Estado, a Sra. Hillary Clinton, para “homenagear a democracia senegalesa”. Contudo ela veio principalmente, como dizia, para colocar o fundamento da “associação sustentável” entre o Senegal e o seu país. Sem dúvida, o Presidente Obama visitará o Senegal para consolidar essa “associação”. Para os Estados Unidos, a África Ocidental está adquirindo uma importância considerável na sua estratégia de militarização do continente africano. Informações divulgadas pelos meios de comunicação ocidentais revelam que Burkina Fasso se converteu em um dos pontos nevrálgicos da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos: a CIA. A sub-região da África Ocidental é a mais povoada das sub-regiões africanas, com uns 300 milhões de habitantes. Ademais, na mencionada região abundam os recursos naturais: o petróleo da Nigéria, o urânio do Níger, a bauxita da Guiné e os recursos agrícolas da Costa do Marfim, entre outros recursos. A região é a ponte para a América Latina e o Oriente Médio e vários países-membros, como o Senegal, estão situados no Oceano Atlântico. A importância da região não pode escapar às estratégias norte-americanas. Por sua vez, levando em conta sua relativa “estabilidade” política, a dimensão estratégica do Senegal se consolidou devido à proliferação das crises na sub-região e à instabilidade em alguns países como a Nigéria, Costa do Marfim e Guiné. A presença de uma imponente nova embaixada reflete a importância que os Estados Unidos concedem ao Senegal como um dos pontos de apoio para a promoção dos seus interesses na sub-região e até fora da mesma. Antes da crise malinesa, os Estados Unidos transformaram Dacar em uma de suas bases para as manobras militares anuais denominadas ‘Flintlock’ cujo objetivo aparente era oferecer treinamento aos exércitos dos países do Sahel na “luta contra o terrorismo”. Estas manobras se organizam sob os auspícios da AFRICOM (comandância militar para África). É um vasto projeto de militarização da região do Sahel e do resto do continente. A comandância geral AFRICOM se acha na Alemanha, porém os Estados Unidos gostariam de transferi-la para a África. Ainda estão à procura de uma sede que acolha a comandância, eles prefeririam algum país na região do Golfo da Guiné, rica em petróleo. Até agora, os países solicitados rechaçaram a oferta dos Estados Unidos. Acabarão se conformando com o Senegal?

AFRICOM: braço armado do imperialismo ianque na África

Essa eventualidade pareceria pouco provável. Mas quem sabe? Em um mundo em profunda e constante mudança, com a decadência irreversível da hegemonia ocidental, os Estados Unidos tratam de desacelerar, incluso de frear, este declive. Neste contexto, a África se converteu em um verdadeiro desafio com suas imensas riquezas e a crescente influência dos países “emergentes”, especialmente da China. É uma das razões que explica a existência da AFRICOM, criada pela administração Bush, e a intenção dos Estados Unidos de estabelecer o seu QG em território africano. O pretexto aparente é a “luta contra o terrorismo” particularmente no Sahel e no Chifre da África. Contudo, as principais razões têm a ver com o controle dos recursos do continente e com a proteção das multinacionais petroleiras que investem na região do Golfo da Guiné. É verdade que os Estados Unidos vão depender cada vez mais do petróleo africano, e de outros recursos naturais procedentes da África. O que justifica a necessidade de militarizar o continente, para garantir o acesso a esses recursos e, ao mesmo tempo, compensar a influência da China. AFRICOM é o braço armado dos Estados Unidos na África, como a OTAN é o seu braço armado em nível mundial Nos últimos anos, AFRICOM participou das agressões contra países soberanos, por exemplo, a Líbia, mediante a expedição imperialista da OTAN contra o presidente Gadafi, a que tinha sido planejada por AFRICOM. Durante a agressão, os Estados Unidos e os seus aliados, França e Grã-Bretanha, não hesitaram em se aliar aos grupos terroristas ligados a Al-Qaeda. O mesmo cenário está sendo reproduzido na Síria, onde os mesmos países, aliados ao regime medieval da Arábia Saudita, e às monarquias do Golfo, apóiam os “rebeldes” cuja imensa maioria são grupos terroristas ligados a Al-Qaeda e cujos atos de barbárie são estampadas em grandes manchetes nos meios de comunicação do mundo todo.

Uma política essencialmente imperialista

A política dos Estados Unidos sempre se acomodou ao compadrio com regimes autoritários, fascistas inclusive, e com grupos terroristas, sempre que isso ajudasse a impor sua estratégia global de dominação do mundo. O Senhor Obama, assim como os seus predecessores, estão a serviço dessa estratégia essencialmente imperialista, que engendra a guerra e que exporta o terror para todos os cantos do planeta. Para alcançar o seu objetivo, os Estados Unidos criaram a CIA e instalaram um sistema planetário de vigilância e de espionagem contra os países, as organizações e as pessoas, violando assim todas as normas do direito internacional. Tudo isto se realiza em nome da “segurança nacional” dos Estados Unidos, um termo que cobre principalmente a defesa dos interesses de Wall Street, a Bolsa de Valores dos Estados Unidos. A “segurança nacional” dos Estados Unidos é a proteção dos interesses de Microsoft, de ExxonMobil, de Chevron, de Citibank, de Goldman Sachs, de McDonald e de outras multinacionais de origem norte-americana, suportes do capitalismo a serviço de uma minoria imoral e cínica. As revelações de Wikileaks há mais ou menos um ano, e as mais recentes de Edward Snowden sobre as escutas da NSA, mostraram o verdadeiro rosto do imperialismo ianque: um sistema de indústria belicista, totalitária e tirânica que segrega o crime em todas as partes do mundo. Enquanto Barack Obama estiver pronunciando as palavras ‘democracia’ e ‘direitos humanos’ durante sua visita ao Senegal, a CIA (o seu braço armado) e seus milhares de agentes continuarão semeando o terror e a morte mundo afora.

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